De estudantes a instrutores

Ex-alunos do Curso Técnico em Agronegócio contribuem para a capacitação profissional de outros alagoanos

Exemplo de superação, Ib Heber cursou o primeiro semestre em Sergipe e depois se transferiu para Alagoas

Mais de 500 quilômetros e sete horas de viagem de ônibus, todos os sábados. Durante agosto de 2015 e janeiro de 2016, esta foi a rotina de Ib Heber Pita, ex-aluno do Curso Técnico em Agronegócio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar. À época, as vagas em Alagoas ainda eram escassas e ele decidiu encarar o desafio de deixar o município de Major Izidoro, uma vez por semana, para estudar no polo de Carira, interior de Sergipe. Todo o primeiro semestre foi cursado no estado vizinho, até que veio a transferência para Maceió, onde concluiu os estudos. Hoje, aos 50 anos, Ib retorna à sala de aula do mesmo curso técnico, desta vez, como instrutor da disciplina Responsabilidade Social e Ambiental, no polo de Major, cidade onde vive.

“Ter sido selecionado como instrutor comprova que eu realmente cumpri o meu papel enquanto estudante – e tenho muito orgulho de ter sido aluno do Senar. Também me traz um compromisso maior, por já ter estado do outro lado. Eu sei, por exemplo, que muitas vezes o agricultor tem dificuldade de estudar a distância, enquanto as turmas mais jovens focam tanto nas atividades online, que deixam um pouco de lado os encontros presenciais. É preciso trabalhar muito bem essas questões e, por já ter vivido tudo isso na condição de aprendiz, acredito que posso contribuir para minimizar as dificuldades dos alunos e maximizar as potencialidades do curso”, analisa Ib Heber.

Técnico em Agroecologia e graduado em Gestão Ambiental, com pós-graduação em Agronegócio, Ib é o fundador do Instituto Eco Sertãozinho, que desenvolve projetos de acesso a crédito rural para produtores da bacia leiteira. Foi neste trabalho que percebeu a carência de capacitações em gestão para quem produz na região. Disposto a mudar tal realidade, Ib resolveu fazer o Curso Técnico em Agronegócio do Senar. “Identifiquei que um dos grandes problemas da bacia leiteira era justamente da porteira para dentro, a administração da propriedade. Ao analisar a grade curricular da rede E-Tec, percebi que era muito direcionada para a gestão e fiquei ansioso para fazer esse curso. Valeu a pena. Hoje, tenho uma visão melhor, de uma pequena ou média propriedade como empresa rural”, diz.

Emerson Ferreira: “Não tenho dúvidas de que esta é a melhor oportunidade para pessoas do meio rural”

Heber não é o único exemplo de ex-aluno que retornou ao Curso Técnico em Agronegócio do Senar como instrutor. Aos 32 anos, o engenheiro agrônomo e doutor em Proteção de Plantas Emerson dos Santos Ferreira vê o trabalho de orientação de novos estudantes como uma oportunidade de crescimento profissional. “O Agronegócio é a base primordial da economia brasileira e eu pretendo me qualificar cada vez mais nessa área. Graças a este curso, ganhei conhecimentos que me proporcionaram muitas oportunidades. Agora, é uma satisfação poder passar esses conhecimentos para outras pessoas”, afirma.

Instrutor das disciplinas Contabilidade Rural e Economia Rural, Emerson reitera os diferenciais do curso do Senar. “Os professores são muito qualificados, o material didático é excelente e o apoio do Ambiente Virtual de Aprendizagem é fundamental. Não tenho dúvidas de que esta é a melhor oportunidade para que as pessoas do meio rural possam se qualificar e trabalhar,  gerar emprego e renda nas cidades ondem vivem, sem precisar arriscar a vida nos grandes centros urbanos. Recomendo o curso, desejo que ele se expanda ainda mais, chegue a outros municípios, e que os alunos aproveitem essa excelente chance”, diz. Hoje, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural oferece o Curso Técnico em Agronegócio em nove polos de apoio presencial em Alagoas: Arapiraca; Junqueiro; Major Isidoro; Mar Vermelho; Mata Grande; Olho D’Água das Flores; Palmeira dos Índios; Penedo; e Santana do Ipanema.