Instituições discutem programa de incentivo à produção do leite na Zona da Mata

Projeto deve ser apresentado ao governador Renan Filho na próxima semana

Reunião aconteceu na sede da Sedetur

Instituições ligadas à agropecuária alagoana pretendem apresentar ao governador Renan Filho, na próxima semana, um programa de incentivo ao desenvolvimento da cadeia produtiva do leite na Zona da Mata. A decisão foi tomada na manhã desta segunda-feira, 3, em reunião realizada na sede da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo – Sedetur.

Participaram da reunião dirigentes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal –; Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar AL –; Sebrae; Federação da Indústria; Associação dos Criadores de Alagoas – ACA –; Sindicato dos Produtores de Leite de Alagoas – Sindileite – e da empresa Natville, que nos próximos 30 dias deve inaugurar uma unidade industrial no município de União dos Palmares com capacidade de processar 200 mil litros de leite por dia.

“A fábrica será inaugurada, no mais tardar, no início de março para a fabricação de produtos UHT – achocolatados, bebidas –, mas nós também pretendemos incluir o leite e o creme de leite. Toda a parte de produção de leite nós queremos desenvolver mais próximo da unidade para beneficiar o produtor local. A partir do relacionamento direto com o produtor, o preço pago será mais justo do que por meio de atravessadores”, comenta o diretor geral da Natville, Flávio Dantas.

“A chegada da Natville é fundamental para que nós possamos dar uma solução para a bacia de leite do nosso estado de forma rápida e coesa. Alagoas agora passa a ter uma grande indústria que garante a compra efetiva do leite de qualidade e a um preço justo. O que precisamos agora é unir os esforços das instituições para que a Zona da Mata volte a ser uma produtora relevante em Alagoas”, afirma o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Rafael Brito.

O projeto será elaborado por técnicos do Sebrae. A ideia é reunir a experiência tanto desta instituição, quanto do Senar Alagoas e da indústria para propor soluções, principalmente com foco na assistência técnica, tudo sob a articulação e o apoio do Governo do Estado. “Nós temos inclusive disponibilidade para aporte de recursos públicos e próprios nessa operação, para beneficiar, sobretudo, o pequeno produtor”, ressalta Brito.

Álvaro Almeida ao lado do secretário Rafael Brito: “Precisamos pensar também da porteira para fora”

“Hoje, no Senar, a palavra de ordem é assistência técnica e gerencial, então este é o melhor momento para juntarmos os esforços. Mas é importante não pensarmos somente da porteira para dentro. É preciso pensar da indústria para a frente, no comércio que vai absorver os produtos da indústria. Então é necessário que o comércio discuta, sugira, participe do convênio”, observa o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.

O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae, Zezinho Nogueira, também reforça a importância da assistência técnica. “Antigamente nós tínhamos uma Emater em que toda semana um técnico visitava a fazenda do produtor, perguntava o que estava precisando e sugeria uma técnica nova de produção. Hoje isso acabou e você precisa ter não só a fiscalização, mas a assistência técnica. No Sertão, as pessoas sabem produzir leite, plantar uma palma, fazer silo, feno. Na Zona da Mata ninguém sabe, pois a cultura sempre foi da cana-de-açúcar”, observa.

De acordo com o presidente do Sindileite, André Ramalho, programas de incentivo à produção já realizados em Alagoas devem embasar o novo projeto. “Temos experiências exitosas desde 2008, com o programa Territórios da Cidadania, do MDA, que incluía o território da bacia leiteira em Alagoas, com 11 municípios. A partir daí os produtores criaram associações, algumas delas evoluíram para cooperativas. Junto a isso também vieram o APL de Laticínios e o Crescer no Campo, programas do Sebrae, o Sertão Empreendedor, parceria entre Senar e Sebrae, que trabalharam justamente a assistência técnica e gerencial. Portanto, já temos um norte e a vinda da indústria contribuirá muito para o crescimento, agora, da Zona da Mata”, avalia.

Outras reuniões
“Precisamos organizar os programas de assistência técnica que já existem e unir o governo e as instituições para organizar esses programas junto com o laticínio âncora, para fomentar a produção de leite na Zona da Mata. Para isso, devemos não só buscar a assistência técnica, mas o incentivo à aquisição de material genético, de matrizes para que a gente possa desenvolver a região”, diz o presidente da ACA, Domício Silva.

Gestores da Faeal, Senar, ACA, Sindileite e Natville também estiveram na sede da Superintendência Federal da Agricultura em Alagoas, para discutir o assunto com o superintendente Alay Correia e técnicos da instituição. Posteriormente, foram recebidos pelo superintendente do Banco do Nordeste no Estado, Pedro Ermírio.

“A capacidade de produção da Natville, junto ao trabalho que vem sendo feito pela comissão do programa Agronordeste, que priorizou a atividade da bovinocultura de leite na integração e reestruturação das propriedades rurais, desde os pequenos produtores até os maiores, dinamizará toda a cadeia produtiva no estado de Alagoas”, pondera Ermírio.

Assunto também foi discutido na Superintendência Federal da Agricultura em Alagoas