Pesquisa comprova o avanço do Programa de Saúde do Homem do Senar em Alagoas

Em 2019, oito municípios foram incluídos e o número de atendimentos cresceu mais de 133%, se comparado a 2018

O ano de 2019 foi marcado pela expansão do Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do Campo – PNAISHC –, também conhecido como Programa de Saúde do Homem, em Alagoas. Ao mesmo tempo, a iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar – em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia – SBU – ampliou significativamente o acesso do homem rural aos serviços médicos de prevenção e diagnóstico de doenças da próstata e do pênis.

Dos 14 municípios atendidos atualmente pelo programa, oito foram incluídos no ano passado. Os 1.439 atendimentos realizados em 2019 representam um aumento de 133,2%, se comparados aos 617 registrados em 2018. Os dados estão no trabalho de conclusão de curso de Josinaldo Santos da Costa, formando em Medicina pela Universidade Estadual de Ciências de Saúde de Alagoas – Uncisal. A orientação foi do urologista e professor Mário Ronalsa Brandão Filho, idealizador do PNAISHC.

Josinaldo participou do Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do Campo pela Liga Urológica Acadêmica da Uncisal. No TCC, além de analisar a expansão do programa em Alagoas, ele também avaliou a adesão da população masculina. Após assistir à palestra sobre doenças da próstata e do pênis, somente 0,14% dos pacientes se negaram a fazer o exame de toque retal. “Quando orientado sobre a importância da prevenção, o homem perde o preconceito ou medo. O que falta a esses pacientes é acesso ao serviço de saúde e orientações sobre prevenção e educação em saúde. Tudo sso é feito no programa”, destaca Josinaldo.

A pesquisa mostra que cerca de 70% dos alagoanos que participaram do PNAISHC em 2019 nunca haviam sido consultados por um urologista. 10% desses pacientes tinham histórico familiar para câncer de próstata e 16% já apresentavam algum tipo de problema urinário.

“Cerca de 86% dos homens atendidos tinham idade entre 50 e 80 anos, faixa etária recomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia para que seja realizada a avaliação com um urologista. Porém, aproximadamente 12% dos pacientes com menos de 50 anos, portanto, fora da faixa etária recomendada, se propuseram a fazer o exame, mesmo sabendo da não obrigatoriedade. Isso demonstra que muitas pessoas, tendo acesso ao serviço, se disponibilizam a ser examinadas”, analisa Josinaldo da Costa.

Josinaldo ministra palestra para homens do campo no município de Belém

O urologista e professor Mário Ronalsa ressalta que o programa criado pelo Senar em parceria com a SBU é o único no mundo voltado exclusivamente para a saúde do homem do campo. “Tanto é que o Ministério da Saúde não tem esses números que nós temos e os dados falam por si. 12% de indivíduos que nem precisariam se submeter ao toque retal foram conscientizados nas palestras. A quantidade de pacientes que não aceitam fazer o exame é ínfima, então, o que falta é assistência de saúde nas esferas municipal, estadual e federal”, ressalta.

O programa
Por meio de palestras, treinamentos e oficinas, o Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do Campo promove a educação, conscientização e orientação sobre temas como câncer de próstata e de pênis, infecções sexualmente transmissíveis, saneamento básico, saúde e segurança do trabalhador. Além disso, o PNAISHC também realiza a prevenção e diagnóstico de doenças, por meio de consultas com o urologista e exames laboratoriais.

Para receber o programa, as prefeituras devem fazer uma solicitação formal ao Senar Alagoas. As metas do PNAISH, por município, são 120 exames de PSA, 80 toques retais, 80 testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais, 100 vacinas, participação de 70 homens na oficina e 200 na palestra. Esses números geralmente são superados devido à grande demanda por urologista e exames de PSA.

“A ação é planejada juntamente com as secretarias de Saúde dos municípios e nós fazemos todo o acompanhamento, até a entrega dos resultados dos exames. Quando há alterações, os municípios encaminham os pacientes para o devido tratamento”, explica a coordenadora dos programas de saúde do Senar Alagoas, Andrea Vieira.

“O Senar contribui para a saúde e a melhoria da população do campo, muitas vezes, preenchendo espaços importantes que o poder público não consegue ocupar. Temos relatos de homens que só tiveram acesso à consulta com urologista e aos exames graças ao programa, descobriram o câncer de próstata em tempo hábil e hoje estão curados. Isso é muito gratificante”, comemora Álvaro Almeida, presidente do Conselho Administrativo do Senar Alagoas e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas.