Programa de saúde previne homem do campo contra o câncer de próstata

Palestras conscientizam homens sobre importância do exame de toque

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens. Dados do Instituto Nacional de Câncer – Inca – e da Sociedade Brasileira de Urologia – SBU – mostram que o Brasil registrou 61.200 novos casos e 13 mil óbitos somente em 2018. A cada 7 minutos, um brasileiro é diagnosticado com a doença. A cada 40 minutos, um morre.

As estatísticas também comprovam que 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados em estágios avançados e 25% morrem devido à doença. Quando os sintomas começam a aparecer, 95% dos casos já estão em fase aguda. Os dados dizem muito sobre o país, mas, ao mesmo tempo, não são suficientes para retratar a realidade da população rural. Afinal, qual é a representatividade do homem do campo neste universo? De que forma este homem tem se prevenido ou tratado a doença? Por incrível que pareça, o Brasil ainda não tem essas respostas.

Neste cenário de incertezas que dificultam a implantação de políticas públicas efetivas para as comunidades rurais, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA –, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar –, e a Sociedade Brasileira de Urologia fazem sua parte. Em setembro de 2014, as instituições criaram o Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do Campo – PNAISHC –, iniciativa que nasceu em Alagoas e hoje também acontece na Bahia; Ceará; Goiás; Maranhão; Mato Grosso; Pará; Paraíba; Rondônia; Roraima; Tocantins; Santa Catarina e Sergipe.

Em cinco anos de programa, 35.034 homens já participaram das palestras de conscientização; 33.319 fizeram o exame de PSA e 12.922 foram submetidos ao toque retal, serviço incorporado ao PNAISHC em 2016. As ações acontecem em unidades de saúde dos municípios e os casos de alteração nos exames são encaminhados para diagnóstico e tratamento.

Preconceito
O grande desafio do programa é quebrar o preconceito e a resistência dos homens na hora de fazer o exame de toque. Em 2018, o PNAISHC promoveu 159 eventos de saúde, nos 13 estados, com a participação de 11.201 homens. 10.846 se submeteram ao PSA e apenas 4.992 ao toque. Ou seja, 44%. Já no primeiro semestre deste ano, 60 eventos foram realizados, com 5.520 participantes, 3.173 coletas de PSA e somente 1.532 exames de toque. Um percentual de 27,7%.

Mário Ronalsa: “Estamos no caminho certo”

Ao longo do tempo, o PNAISHC vem trabalhando para quebrar o preconceito do homem rural contra o toque retal. A formatação do programa ajuda bastante, pois as atividades começam com uma palestra sobre doenças da próstata e muitos homens se conscientizam acerca da importância de fazer o exame.

“Em Alagoas temos bons exemplos de como é possível quebrar esta resistência. No município de Cajueiro, realizamos 134 exames de toque retal e 132 de PSA. Em Mar Vermelho, no ano de 2016, 73 homens se submeteram ao toque; em 2018, dos 105 participantes do programa, 100 passaram pelo procedimento. Já em Carneiros, todos os 129 pacientes fizeram PSA e toque. Esses dados, aliados às estatísticas do Inca e da SBU, de que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura para 90%, mostram que estamos no caminho certo”, afirma o urologista Mário Ronalsa Brandão Filho, idealizador do PNAISHC.

Câncer de pênis
O Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do Campo também realiza exames preventivos contra o câncer de pênis, um tumor raro, com maior incidência em homens a partir dos 50 anos e que, no Brasil, representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem, de acordo com o Inca. Mais frequente nas regiões Norte e Nordeste, este tipo da doença tem, entre os fatores de risco, as baixas condições socioeconômicas, de instrução e a má higiene íntima.

Em 2018, graças às ações do PNAISHC, 812 lesões precursoras de câncer de pênis foram detectadas. Segundo Mário Ronalsa, apesar da baixa incidência, se comparada a de outros tipos da doença, o Brasil é hoje um dos campeões de câncer de pênis no mundo.

“Mesmo com toda a tecnologia, nós ainda registramos cerca de 1,3 mil amputações por ano no país. Em Alagoas, a situação é pior. Fizemos uma pesquisa, entre 2007 e 2009, e encontramos o número de um pênis amputado a cada treze dias e meio. É uma estatística muito forte, de guerra e o Ministério da Saúde precisa tomar alguma providência contra isso”, alerta o urologista.