Três alagoanos estão na etapa nacional do CNA Jovem

Programa busca formar novas lideranças para o meio rural e impulsionar o setor agropecuário

Gilberlândia, Davi e Ellen participarão de quatro encontros em Brasília

Três alagoanos representarão o estado na etapa nacional do programa CNA Jovem, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA – e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar – que prepara novos líderes para o campo. Voltado para brasileiros do meio rural, com espírito de liderança e idade entre 22 e 30 anos, o programa tem o objetivo de impulsionar ainda mais o setor agropecuário.

As engenheiras agrônomas Ellen Rebeca Lopes de Oliveira, 29 anos, de Maceió, e Gilberlândia Ferro, 26, de Arapiraca, e o zootecnista Davi Francisco da Silva, 23, também da capital, foram selecionados entre os 11 jovens alagoanos que participaram da etapa estadual do programa, iniciada em 13 de outubro do ano passado. Todos os participantes foram indicados por secretarias municipais de Agricultura e sindicatos rurais, por apresentarem perfil empreendedor e de liderança.

Conduzida pelo Senar Alagoas, a etapa estadual aconteceu em três fases. Os alunos do CNA Jovem fizeram um curso a distância sobre liderança, depois participaram de três encontros presenciais e atividades remotas para o desenvolvimento de projetos que tragam soluções para problemas ou gerem oportunidades no campo. Ao término dos encontros, eles entregaram um plano de ação. Os três melhores trabalhos passaram para etapa nacional, em Brasília.

“Os projetos estão muito bons, porém, ainda passarão por alguns ajustes, pois precisam ser de liderança e relevância, ambiciosos, para que façam a diferença no agronegócio local, nacional e até mesmo internacional”, afirma Luana Torres, coordenadora do CNA Jovem em Alagoas.

Os projetos

Ellen de Oliveira desenvolveu um projeto de confecção de uma armadilha com PVC para o controle e monitoramento de pragas como Helicoverpa e Spodoptera. A fabricação da armadilha e a implantação de um sistema de microcâmeras têm o objetivo de reduzir custos e impactos ambientais, trazer mais comodidade e preservar a saúde do produtor. “Precisamos quebrar esse paradigma de que só é possível controlar pragas utilizando agrotóxicos a qualquer hora. É preciso monitorar e saber o momento exato de utilizar um produto químico”, argumenta a jovem.

Já Davi Francisco busca incorporar subprodutos da agroindústria local na fabricação de ração, com o intuito de reduzir os custos com alimentação animal e o impacto ambiental dos resíduos que retornam para a natureza. “Custos com produção de ração representam cerca de 70% das despesas. Se conseguirmos reduzir para 40%, o produtor terá um lucro maior, melhorará de vida e investirá mais na sua propriedade”, diz o zootecnista.

Mestranda em Agricultura e Ambiente, Gilberlândia Ferro trabalha num projeto de introdução de sorgo sacarino manejado com a introdução de bactérias endofíticas – que habitam o interior de plantas – para a produção de etanol. A intenção é fazer com que o produtor reduza a quantidade de adubo utilizado durante o manejo da cultura e complemente a safra da cana de açúcar, utilizando o sorgo sacarino.

“Muitos produtores podem reaproveitar o sorgo sacarino no período de entressafra da cana, para complementar a produção de etanol, visto que os caldos do sorgo e da cana são semelhantes. Utilizando o sorgo sacarino, o produtor complementará a produção de etanol em menos tempo, pois o ciclo da cultura é menor”, explica Gilberlândia.

Etapa nacional

Os três alagoanos agora seguem para a etapa nacional, com quatro encontros em Brasília, no período de 22 de março a 7 de julho. A metodologia desta etapa baseia-se num modelo inovador de liderança empreendedora. O jovem é estimulado a construir e planejar sua trajetória de liderança em uma das cinco dimensões: sindical, institucional, política, empreendedora ou acadêmica.

A escolha dos vencedores da etapa nacional é feita pelos próprios participantes, o que legitima o papel e o projeto de liderança dos escolhidos junto a seus pares. Além disso, todos passam a integrar a Rede CNA Jovem, que desenvolve campanhas, missões nacionais e internacionais, promove diversas oportunidades de crescimento pessoal e profissional.