Presidente da Faeal faz balanço de 2020 e fala sobre as expectativas do agro para 2021

Mesmo em meio a uma pandemia que praticamente parou o mundo, o agronegócio brasileiro seguiu contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país. Em Alagoas não foi diferente. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado e Alagoas (Faeal), Álvaro Almeida, conversou com o jornal Gazeta Rural sobre o assunto. Confira a entrevista na íntegra:

Gazeta Rural – Presidente, como o senhor avalia o desempenho do agronegócio em 2020?
Álvaro Almeida – No último mês de outubro, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou um levantamento que mostra que o Produto Interno Bruto do agronegócio acumulava alta de 6,75% no ano. Em Alagoas, fomos agraciados com um 2020 bom de chuvas e isso favoreceu o crescimento das safras de grãos e de cana-de-açúcar. O cenário de exportações também foi favorável, visto que Alagoas exporta 85% da cana que produz. Os preços dos nossos produtos subiram de forma a remunerar melhor os produtores e os resultados estão aí, com excelentes safras de cana, milho, soja, sorgo e algodão.

Gazeta Rural – Quais foram as principais dificuldades para o setor?
Álvaro Almeida – Uma delas ainda é a cota de isenção para importação do etanol, que o Governo Federal aumentou de 600 para 750 milhões de litros. A importação sem impostos afeta os preços para quem produz aqui, por isso, a Faeal e outras entidades realizaram uma campanha de sensibilização para que o alagoano consumisse o etanol produzido em Alagoas. Outra dificuldade enfrentada este ano foi a suspensão do Programa do Leite, por conta da descontinuidade no repasse das verbas federais, mas o Governo do Estado empreendeu esforços, conseguiu assumir o passivo e retomar a iniciativa com o apoio da bancada alagoana na Câmara Federal.

Gazeta Rural – E quais os principais avanços do agro alagoano em 2020?
Álvaro Almeida – Tivemos a inauguração de mais uma etapa das obras do Canal do Sertão em Alagoas. Além disso, o Estado anunciou o investimento de R$ 1,5 milhão para a construção de barragens subterrâneas, pleito conduzido pela Faeal, como forma de garantir água para os pequenos produtores das regiões mais secas do estado. No âmbito nacional, a CNA obteve diversas conquistas para os produtores rurais, como a prorrogação do crédito rural e da isenção do IOF, e a liberação de R$ 500 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos, apenas para citar alguns exemplos.

Gazeta Rural – Mesmo em meio à pandemia, o Senar Alagoas não parou. Que balanço o senhor faz deste trabalho?
Álvaro Almeida – O trabalho do Senar Alagoas beneficiou mais de 2 mil alagoanos em 2020. O Senar prestou assistência técnica e gerencial a 1.100 produtores rurais, em 18 municípios, 1.010 deles pelo Programa Agronordeste, nas cadeias de avicultura, bovinocultura, fruticultura, olericultura, ovinocaprinocultura, apicultura e piscicultura. Nas áreas de Formação Profissional Rural e Promoção Social, apesar da pandemia, cerca de 900 alagoanos foram capacitados. Já na educação formal, inauguramos mais seis polos de apoio presencial e atendemos 161 estudantes em cursos do Senar. Também capacitamos alunos no curso de Mecânico de Manutenção de Tratores, pelo Programa Jovem Aprendiz. Vale ressaltar que, para 2021, temos vagas abertas para os cursos a distância da Faculdade CNA, ofertados pela primeira vez em Alagoas, e para o Curso Técnico em Fruticultura, nos polos de Arapiraca e Palmeira dos Índios.

Gazeta Rural – Quais as demandas prioritárias de Alagoas para 2021?
Álvaro Almeida – Precisamos continuar avançando na conclusão das obras do Canal do Sertão e investir na construção de abatedouros públicos, com as devidas condições sanitárias. Também é preciso implantar novas políticas públicas para o semiárido e fortalecer as de regularização dos débitos rurais, para garantir a retomada dos investimentos. 

Gazeta Rural – Quais as perspectivas para o setor em 2021 e que mensagem o senhor deixar para o próximo ano?
Álvaro Almeida – A CNA estima que o PIB do Agronegócio crescerá 3% em 2021, o equivalente a cerca de R$ 1,8 trilhão. Em Alagoas, não tenho dúvidas de que os produtores rurais alagoanos continuarão desenvolvendo suas atividades e contribuindo para o desenvolvimento do Estado. A esses produtores rurais, peço o apoio na Contribuição Sindical Rural, para que o nosso trabalho em sua defesa continue. Temos inúmeras conquistas, mas precisamos avançar muito. Por fim, a todos os alagoanos, reitero o desejo de um ano novo repleto de amor, paz, saúde e conquistas.